
Por Tatiana Martins, jornalista na G&M News.
A empresa tem acompanhado de perto a evolução do mercado regulado de apostas no Brasil. Na sua avaliação, quais foram os principais desafios e oportunidades que surgiram desde a regulamentação do setor?
A regulamentação trouxe uma mudança profunda para o mercado brasileiro de apostas. Para a Lindau Gaming, por meio da nossa principal casa, que é a Oleybet, o desafio foi compreender que operar em um ambiente regulado não significa apenas cumprir exigências formais, mas adaptar a cultura da empresa a um novo padrão de responsabilidade, governança e relacionamento com o usuário. Hoje, o setor vive um momento de muita exposição pública. Há uma discussão legítima sobre publicidade, volume de comunicação, linguagem das campanhas e impacto social das apostas. Esse é um desafio real para todos os operadores. Não basta dizer que somos regulados; é preciso demonstrar, na prática, que a atividade pode ser conduzida com transparência, limites e compromisso com o entretenimento responsável. Nesse sentido, a maior oportunidade que surgiu para a Lindau foi justamente a de construir uma identidade empresarial mais madura. Temos trabalhado para que o jogo responsável não seja apenas um rodapé no site da Oleybet ou uma obrigação regulatória, mas uma cultura interna. Isso passa por comunicação, CRM, produto, atendimento, promoções, relacionamento com fornecedores e tomada de decisão estratégica. A regulamentação também ajuda a separar operadores comprometidos com o longo prazo daqueles que enxergam o mercado apenas como uma oportunidade imediata. O Brasil tem potencial enorme, mas o crescimento sustentável dependerá da capacidade das empresas de conquistarem confiança. Para nós, esse é o ponto central.
O relacionamento com parceiros e demais stakeholders é um diferencial estratégico. Como a Lindau Gaming tem fortalecido essas conexões para impulsionar o crescimento dos negócios?
Em um mercado regulado, relacionamento não pode ser visto apenas como uma ferramenta comercial. Ele precisa estar conectado a uma visão mais ampla de responsabilidade, alinhamento institucional e construção de confiança. A Lindau tem buscado fortalecer suas relações com parceiros, fornecedores, entidades e demais stakeholders a partir dessa lógica. O setor de apostas depende de um ecossistema muito amplo: plataforma, provedores de jogos, CRM, meios de pagamento, atendimento, compliance, integridade esportiva, tecnologia, mídia e comunicação. Cada decisão tomada por um desses agentes impacta a experiência do usuário e também a percepção pública sobre o mercado. Por isso, temos tentado construir conversas mais qualificadas, especialmente em temas sensíveis como publicidade, promoções, limites, comunicação com usuários e práticas de jogo responsável. O desafio não é apenas vender mais ou engajar mais. O desafio é entender qual tipo de crescimento queremos construir. Um exemplo importante dessa visão foi a atividade que realizamos através da Oleybet com o ex-jogador Dedé, no Rio de Janeiro, durante a Copa. Mais do que uma ação pontual, ela simboliza uma forma diferente de pensar presença de marca: aproximar o esporte, a comunidade e o entretenimento sem transformar tudo em estímulo direto à aposta. Esse tipo de iniciativa mostra que é possível estar presente no universo esportivo com responsabilidade, gerando conexão, conteúdo e valor institucional. Acreditamos que o fortalecimento do mercado brasileiro passa por esse tipo de postura: menos ruído, mais diálogo; menos pressão comercial, mais construção de confiança.
O mercado brasileiro reúne operadoras, fornecedores, reguladores e entidades de classe em uma atmosfera cada vez mais conectada. Na sua visão, o que ainda falta para que essa integração resulte em um ambiente mais eficiente e produtivo para todos os envolvidos?
O mercado brasileiro avançou muito, mas ainda está em processo de amadurecimento. Temos operadores, fornecedores, reguladores, entidades e parceiros tentando construir, ao mesmo tempo, uma nova lógica de atuação. Isso naturalmente traz ajustes, dúvidas e tensões. Na nossa visão, ainda falta uma integração mais profunda em torno de temas que vão além da operação. Tecnologia, dados e compliance são fundamentais, mas também precisamos falar de comunicação, publicidade, proteção ao usuário e responsabilidade social de forma mais coordenada. A publicidade, por exemplo, é hoje um dos grandes desafios do setor. Existe uma percepção pública de excesso, e o mercado precisa levar isso a sério. O debate não pode ser tratado apenas como uma reação moral contra as apostas, mas também não pode ser ignorado pelos operadores. Há uma diferença importante entre comunicar entretenimento adulto de forma responsável e transformar o usuário em alvo permanente de estímulos comerciais. Também é relevante que a integração entre os agentes ajude a separar melhor o mercado regulado do mercado ilegal. O operador autorizado precisa cumprir regras, investir em controles, respeitar limites e responder ao regulador. Já quem atua à margem não segue os mesmos padrões e, muitas vezes, contribui para a deterioração da imagem de todo o setor. O ambiente será mais eficiente e competitivo quando houver mais previsibilidade regulatória, diálogo técnico, fiscalização efetiva do mercado ilegal e um compromisso coletivo com boas práticas de publicidade e jogo responsável. A régua precisa subir para todos.
A Copa do Mundo de 2026 movimentou toda a indústria de apostas esportivas. Qual é o balanço que a companhia faz desse período? Houve mudanças no comportamento dos clientes, crescimento da operação ou aprendizados que devem influenciar as próximas estratégias da empresa?
A Copa do Mundo vem sindo um período de grande interesse para qualquer operador de apostas esportivas. Ela aumenta o volume de atenção sobre o futebol, atrai usuários ocasionais e amplia a relevância das campanhas de comunicação. Mas, para a Lindau Gaming, através da Oleybet, o balanço da Copa não pode ser medido apenas por crescimento de operação. O principal aprendizado é que grandes eventos esportivos exigem responsabilidade ainda maior. Justamente porque o interesse cresce, a comunicação precisa ser mais cuidadosa. Não se trata apenas de aproveitar o momento, mas de fazer isso sem incentivar exageros, sem criar falsas expectativas e sem transformar a paixão pelo esporte em pressão para apostar. Durante esse período, reforçamos a importância de tratar apostas como entretenimento adulto, com limites claros e informação ao usuário. Uma campanha não pode ser pensada isoladamente; ela precisa considerar linguagem, frequência, público impactado, canais utilizados e possíveis sinais de vulnerabilidade. A atividade com o Dedé, em Botafogo, também dialoga com esse aprendizado. Ela mostra que a marca pode se aproximar do futebol e da emoção do torcedor de uma forma mais saudável, menos agressiva e mais conectada à experiência esportiva. Esse é um caminho que queremos aprofundar. O crescimento é importante, claro. Nenhuma empresa ignora a relevância comercial de uma Copa do Mundo. Mas o crescimento que interessa para a Lindau é aquele que fortalece a relação de longo prazo com o usuário e com o mercado. A Copa reforçou que o futuro das apostas no Brasil dependerá menos de volume publicitário e mais de qualidade, confiança e responsabilidade.
A Lindau Gaming estará presente no G&M Eventos Brasil 2026 (13 de agosto no Cubo Itaú em São Paulo), reunindo os principais executivos do setor. Quais são as expectativas da empresa para o encontro e como iniciativas como essa contribuem para o fortalecimento do mercado regulado brasileiro?
A presença da Lindau Gaming no G&M Eventos Brasil 2026 é uma oportunidade importante para participar de uma conversa que o setor precisa fazer com profundidade. Como eu disse, o mercado brasileiro vive um momento decisivo. É preciso discutir permanentemente que tipo de indústria queremos construir. Eventos como esse têm papel fundamental porque aproximam operadores, fornecedores, executivos, reguladores e entidades em um ambiente de troca qualificada. A nossa expectativa é contribuir para esse debate a partir da experiência prática da Lindau com a Oleybet. Temos buscado transformar o jogo responsável em cultura interna, não em discurso acessório. Acreditamos que o setor regulado brasileiro só será forte se conseguir combinar crescimento econômico com legitimidade social. A legitimidade não se conquista apenas com licença. Ela se constrói no dia a dia, na forma como a empresa se comunica, nos limites que respeita, nos incentivos que escolhe não usar e na capacidade de reconhecer os desafios do próprio mercado. Para a Lindau, participar do G&M Eventos Brasil 2026 é também reafirmar esse compromisso. Queremos crescer dentro de uma visão responsável, profissional e sustentável para o setor.







