
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Uma jovem e talentosa executiva, Bárbara Corrêa jogava casualmente Esports desde o ensino médio, e a pandemia intensificou esse interesse. Começou a se envolver mais com jogos como Honor of Kings, Free Fire e Valorant, e foi ali que percebeu o quanto esse universo ia muito além do entretenimento. Isso despertou nela uma vontade real de fazer parte desse movimento.
Mas como Bárbara chegou ao importante cargo da Vice-Presidenta na FERJEE? Ela detalha esta conquista da seguinte forma: “Em 2023, tive a oportunidade de entrar para a FERJEE junto com o presidente Cadu Albuquerque para construir uma nova gestão para a Federação. Foi uma honra ter recebido o convite para participar mais assiduamente em produção e operações do setor que eu sempre acreditei ter muito potencial de crescimento, especialmente no Rio de Janeiro”.
Sobre o que há na indústria dos jogos que a atrai e que a fez dedicar-se, a profissional revela uma visão de quem realmente entende o universo dos games. “O que mais me atrai é fazer parte de um setor que já é muito grande. Os Esports estão em desenvolvimento constante, e poder contribuir para esse avanço, não só como gestora, mas como alguém que operacionaliza projetos, é uma experiência muito diferente e muito gratificante”, disse.
A IMPORTÂNCIA DA EQUIDADE DE GÊNERO
Sobre o que pensa sobre a crescente integração de minorias em empresas de jogos, Bárbara acredita que a inclusão se constrói com estrutura, não só com discurso. Ela explica que é por isso que o setor precisa investir cada vez mais no cenário inclusivo e feminino de forma ativa e consistente. A FERJEE está fazendo isso, e projetos como o Rainhas do Clutch (torneio internacional de CS2 que a Federação realiza com foco exclusivo em mulheres cisgênero, mulheres transgênero e pessoas não binárias) são a prova de que é possível criar competições sérias, com regulamento e premiação profissional e estrutura, voltadas para mulheres e pessoas não binárias.
Ela revela sua expectativa neste sentido: “De forma pessoal, quero ver cada vez mais mulheres e outras pessoas marginalizadas se tornando líderes nessa indústria. Sei que, quando ocupamos esses espaços, entregamos projetos diferentes, inovadores e com uma visão que enriquece o ecossistema como um todo. O potencial está aí, e cabe a todos nós criar os caminhos para que ele se realize”.
Para ela, questões como equidade de gênero, paridade salarial e igualdade de acesso a cargos de gerência são urgentes. “Equidade de gênero não é favor, é investimento. Os Esports brasileiros têm a oportunidade de reduzir essa disparidade porque é uma indústria jovem que ainda está se profissionalizando. A FERJEE escolheu estar nessa construção desde o começo”, ela planteia.
NÃO ESPERE QUE TE ABRAM AS PORTAS
Diante dessas revelações e sendo uma profissional que é exemplo no setor, perguntamos qual conselho daria às jovens que querem entrar na indústria dos jogos? Barbara é direta: “Não espere a porta abrir. Busque uma oportunidade e entre por lá. A indústria de Esports ainda está se profissionalizando e existem muitos cargos e profissões onde não existe, ainda uma capacitação técnica formal para exercê-los”.
Também, ela expressa: “Se você tem interesse nos Esports, procure pessoas que trabalhem com isso, porque essas pessoas são muito abertas a compartilhar experiências. A prática também é muito valorizada. Comece por projetos voluntários como Atléticas Universitárias, Torcidas Organizadas ou página pessoal para ampliar seus conhecimentos”.
UMA PROFISSIONAL RACIONAL QUE ENTENDE O CENÁRIO
Como descreveria suas qualidades profissionais, e como acredita que seus colegas de trabalho a descreveriam? A executiva responde: “Me descreveria como uma profissional racional e transparente, que se importa principalmente com a entrega. Gosto de entender o cenário em um 360º, acredito que a comunicação honesta é o que mantém qualquer equipe funcionando bem e de forma coesa”. Além disso, assegura: “A dedicação é algo que carrego em tudo que faço, e a adaptabilidade foi, talvez, uma das qualidades que mais desenvolvi ao longo desses anos nos Esports, um setor que muda rápido e exige que a gente mude junto”.
Quanto aos colegas, a profissional expõe: “Acredito que diriam que sou uma pessoa que nunca parou de querer crescer. Alguém que está sempre aprendendo, desenvolvendo novas habilidades e buscando fazer melhor do que fez antes. Proativa e comprometida são palavras que espero que usem, porque representam muito do que eu tento ser no dia a dia, especialmente em um setor onde cada projeto é uma oportunidade nova de entregar algo diferente”.
Na questão mais pessoal sobre quais aspectos de sua personalidade que seus amigos e familiares destacam, Bárbara diz: “Quem me conhece mais de perto diria que tenho uma sede de aprendizado. Sempre fui assim: quando um ambiente novo aparece, uma plataforma diferente, um cenário que ainda não conheço, meu primeiro instinto é entender como funciona, mergulhar fundo e aprender tudo que puder com quem está por ali. Acho que foi exatamente isso que me trouxe até onde estou hoje. Dificilmente faço algo pela metade. Se me comprometo, me comprometo de verdade”.
EQUILÍBRIO ENTRE VIDA PESSOAL E TRABALHO + PROJETOS
Diante desta dedicação e comprometimento, como ela equilibra o tempo entre vida pessoal e profissional? Que hobbies e interesses têm fora do ambiente laboral? Bárbara é sincera e realista em sua resposta: “Quando você trabalha com algo que genuinamente gosta, os limites entre vida profissional e pessoal naturalmente se misturam um pouco. Os Esports também são meu entretenimento, então não é raro que eu esteja acompanhando alguma competição, tanto pelo lazer como pelo olhar profissional”.
Mas tem momentos mais individualizados: “Fora isso, gosto de leituras, de me desconectar quando preciso e de estar na natureza. São os momentos que me ajudam a recarregar e voltar com mais clareza”.
Quanto suas perspectivas para os próximos dois anos, a nossa entrevistada menciona: “Como Vice-Presidenta da FERJEE, meu foco para os próximos anos é garantir a continuidade e o crescimento dos projetos que já construímos, expandindo as modalidades que trabalhamos e consolidando o Rio de Janeiro como um polo de referência no ecossistema de Esports nacional e internacional. Quero que a FERJEE seja cada vez mais essa referência e suporte para o cenário, uma instituição que está presente, que apoia e que cresce junto com as pessoas que fazem os Esports acontecerem. Há muita coisa sendo planejada e estou animada com o que vem por aí”.
Em uma linha
Um livro: “O Ceifador” (Neal Shusterman, 2016)
Um filme: “Até o último homem” (Mel Gibson, 2016)
Música favorita: ‘Coisa Boa’, do Lagum
Um perfume: ‘Floratta’, by O Boticário
Um lugar onde moraria: Amsterdam (Holanda)
Um lugar para passar férias: Patagônia Chilena
Um restaurante: ‘Hatch’ (Rio de Janeiro, Brasil)
Uma comida: Japonesa
Uma bebida: Coca-Cola Zero
Um esporte: Vôlei de quadra
Um professor ou referência em sua vida: Minhas maiores referências são os meus pais








