
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco sobre sua trajetória profissional até atingir o êxito atual dentro de um mercado de alta concorrência como o brasileiro.
Minha trajetória profissional começou assim que iniciei minha graduação em Ciência da Computação, ainda no início dos anos 2000. Logo após, ingressei em uma Big4 para atuar com auditoria e consultoria em Tecnologia da Informação e, a partir daí, construí minha carreira em governança. Em meados de 2015, diante da disparada das fraudes, dos ataques cibernéticos e incidentes de segurança, direcionei meu escopo para as áreas de Segurança da Informação e, principalmente, Privacidade e Proteção de Dados, em especial com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Atuo fortemente com essas disciplinas desde então. Em meados de 2023/24, a HG nasceu de um projeto de startup, a partir da regulamentação das apostas. Como a posição de Segurança da Informação e Proteção de Dados é uma função estratégica e obrigatória do setor, recebi a oportunidade como um grande desafio e aprendizado constante. Participei desde o início, há aproximadamente dois anos, ainda durante o processo de licenciamento, elaboração das políticas, certificação, lançamento e operação. Desde então, desempenho um papel fundamental, não apenas no tocante à Segurança da Informação e Proteção de Dados, mas também no fortalecimento da governança de tecnologia em um ambiente altamente regulamentado e competitivo.
Quais são as maiores preocupações ou cuidados que os Agentes Operadores devem ter no tratamento dos dados pessoais dos apostadores? Quanto aos apostadores, o que eles devem saber sobre os seus dados ao entrar no mundo dos jogos e apostas?
Essas perguntas são realmente muito importantes. É obrigatório que todo Agente Operador elabore seus Termos e Condições das plataformas e a Política de Privacidade, além de estabelecer um canal de contato oficial e divulgar as informações na Política, juntamente com o nome e dados de contato do responsável pela Proteção de Dados Pessoais (DPO). A política deve ter uma linguagem clara, simples, transparente e informando exatamente quais as categorias dos dados coletados, quais as hipóteses legais para o tratamento desses dados, com quem esses dados podem ser compartilhados e tudo o que envolva a jornada dos dados pessoais. Todos os dados tratados durante a jornada do usuário devem respeitar a Lei e as Portarias e a LGPD. É válido ressaltar que, além de dados pessoais, são também coletados dados pessoais sensíveis (biometria facial), necessários principalmente para as etapas de cadastro e saque. Os Agentes Operadores devem implementar medidas de segurança da informação suficientes para proteger todos os dados pessoais envolvidos, principalmente os dados pessoais sensíveis. As empresas devem fortalecer os controles internos de Segurança da Informação, promover treinamentos periódicos e monitorar se todos os seus parceiros também possuem bons controles de segurança da informação e de proteção de dados pessoais. Com relação aos apostadores, a primeira dica que eu dou é que busquem empresas sólidas, licenciadas e principalmente façam a leitura das políticas corporativas obrigatórias antes de efetuar o cadastro. Isso demonstra o comprometimento do Agente Operador aos principais temas no setor: prevenção à lavagem de dinheiro, jogo responsável, privacidade e proteção de dados, entre outros. Se o apostador não encontrar as políticas, ou então as políticas não apresentarem linguagem clara e objetiva, ou até mesmo não fizerem sentido, o apostador deve simplesmente abandonar esse cadastro e procurar outra casa que seja segura e sustentável. Atualmente, há mais de oitenta Agentes Operadores autorizados.
Como você acha que as temáticas de jogo responsável, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção de dados se conectam diretamente?
Elas se conectam de forma muito direta, pois as três áreas trabalham, em essência, sobre o mesmo problema: identificar riscos relacionados ao comportamento e à identidade do usuário, agir preventivamente e proteger tanto o apostador quanto a empresa. O Jogo Responsável procura entender padrões de comportamento que podem indicar jogo excessivo ou perda de controle; a Prevenção à Lavagem de Dinheiro visa conhecer o cliente, sua origem de recursos e identificar comportamentos financeiros atípicos; a Proteção de Dados Pessoais e a Segurança da Informação intentam garantir que todas essas informações sejam coletadas, utilizadas, armazenadas e compartilhadas de forma adequada e segura. É muito relevante que a companhia busque ferramentas que apoiem o monitoramento contínuo e automatize regras para manter um bom controle sobre todas essas questões.
A G&M News realizou neste mês a terceira edição do G&M Eventos Brasil 2026, em São Paulo, onde inclusive teve, entre outros vários líderes do setor de jogos brasileiro, entidades e especialistas, a presença da HG, na sua pessoa, prestigiando o evento. Como vê este movimento de eventos inseridos em um cenário onde a dinâmica da regulamentação está em todos os meios, e o mercado brasileiro sendo um foco mundial do setor de jogos online?
Vejo esse movimento de eventos como um reflexo da maturidade que o mercado brasileiro começa a alcançar. Em um momento em que a regulamentação está no centro das discussões, esses encontros deixam de ser apenas oportunidades de networking e passam a ser ambientes estratégicos para alinhar expectativas entre operadores, reguladores, fornecedores, meios de pagamento, afiliados e demais stakeholders, principalmente no período pós-Copa do Mundo. O Brasil se tornou um dos mercados mais observados do mundo, não apenas pelo seu potencial de receita, mas pela dimensão da sua base de jogadores e pela forma como a regulamentação pode servir de referência para outros mercados emergentes. Isso naturalmente atrai investimentos, inovação e os principais players globais. Para as empresas, participar de G&M Eventos Brasil 2026 significou estar próximo das discussões que moldarão o futuro do setor. É onde se compartilham boas práticas, se antecipam tendências regulatórias, se fortalecem parcerias estratégicas e se constrói um mercado mais seguro e sustentável. A regulamentação não deve ser vista como uma barreira, mas como um elemento que aumenta a credibilidade do setor, protege o usuário e cria condições para uma competição mais equilibrada.







