
A EBAC surgiu em 2023 e, desde então, tem experimentado um crescimento significativo, recebido prêmios e conquistado ampla aprovação do setor no Brasil. Qual a sua avaliação do trabalho da organização nesses três anos?
Minha avaliação é muito positiva. Confesso que nosso primeiro ano, 2024, que foi anterior ao ano da regulamentação no Brasil, já havia sido positivo com duas das nossas maiores empresas parceiras aderindo ao serviço mesmo antes da regulamentação. Em 2025, tivemos a grande maioria das nossas parcerias atuais iniciando o relacionamento com a EBAC, que foi o que ditou este crescimento citado e deu mérito à iniciativa pelo reconhecimento que veio com os prêmios. Hoje, o mercado mostra (até para nós) sinais muito claros de uma desaceleração que se reflete na nossa organização também, exigindo uma maturidade rara de ritmo de consolidação em uma empresa de apenas três anos. A companhia ainda busca aquele crescimento inicial, mas que, por compreender muito bem os movimentos da indústria em que está inserida, nos permite reajustar a estratégia para navegar bem neste cenário.
O que é o ‘Selo CompulSafe’, como os operadores podem obtê-lo e quais benefícios eles ganham?
O “Selo Compulsafe” é uma opinião profissional da EBAC com caráter de certificação. Não é nem vendido e nem concedido; ele é apurado e medido como se fosse o resultado de um “score” de conformidade com o que a Portaria 1.231 (a do Jogo Responsável) preconiza. Os pontos essenciais têm um peso maior, mas todos os requerimentos são medidos, testados com técnicas de auditoria (amostragem independente, teste substantivo, evidencia com material suporte) e mapeados conforme o seu grau de implementação. O objetivo é ter um retrato muito fiel da situação real do operador em relação às obrigações requeridas, tão fiel que até os itens não conformes, os “gaps” são tratados de maneira séria e direta, com um plano de ação claro para que venham a ser mitigados e bem gerenciados.
Como você vê o mercado brasileiro de jogos hoje, após um ano e meio de regulamentação, em termos de implementação de políticas de jogo responsável, combate ao jogo ilegal e à manipulação de resultados esportivos, e promoção da integridade e transparência?
Minha visão vem das observações de vários componentes do mercado, e eu não vejo estes componentes muito ajustados. Os operadores estão se esforçando para implementar tudo que deles é requerido, alguns bem mais além do que o mínimo. Conheço vários casos que podem ser considerados uma verdadeira busca por excelência na gestão destes temas. Mas não vejo a mesma postura no Governo, na própria sociedade em geral e em alguns setores, como, por exemplo, o nosso sistema jurídico. Vejo o setor nas cordas e, por incrível que pareça, por problemas que não são causados pela postura dos operadores de modo geral. Vem de uma dissonância do Governo, que é no final das contas o órgão regulador, e não consegue projetar fomento no setor que ele próprio decidiu promover oficialmente, e nem destes outros componentes que citei que resolveram se aproveitar das típicas lacunas de uma regulamentação juvenil para tirar algum proveito. O operador, que sempre vai ser o “man in the arena” neste caso, carece de uma proteção que ele não percebe e não recebe.
Quais aspectos as empresas do ecossistema brasileiro de jogos e apostas precisam fortalecer para otimizar a proteção dos apostadores e ajudar efetivamente aqueles que sofrem com problemas de jogo?
Eu acho que dois componentes são a chave para o negócio: a conscientização do apostador e o limite. É muito importante entendermos isso como uma responsabilidade conjunta do setor. A conscientização é o único componente que chama o apostador para compartilhar esta responsabilidade. Sem isso, em um cenário de ignorância, existente ou meramente alegada, fica difícil trazer o apostador para o lado da solução e o deixa muito confortável para se colocar sempre na parte do problema. Já a questão dos limites, quando bem calculados, bem ajustados, bem implementados, praticamente neutralizam o problema. Os problemas do jogo são assunto de saúde mental, relacionados à compulsividade, termo que está no nome da nossa empresa e que tem na sua origem a palavra pulso, ou seja, vida. É uma atividade muito viva, muito estimulante. A “chance” -que na minha visão é o verdadeiro produto do nosso setor- desperta muitos sentimentos que podem funcionar como gatilho de transtornos comportamentais. Ter uma limitação na origem da relação de compra e venda desta “chance”, feita de forma adequada, que vai evitar muito o problema do gasto excessivo e de uma eventual consumação dessa compulsão, é para mim o melhor controle para mitigar o risco.
Você será um dos palestrantes da terceira edição do G&M Eventos Brasil (13 de agosto em São Paulo). Também EBAC apoiará a entrega de um Reconhecimento ao Operador que demonstrar grande ‘Compromisso com o Jogo Responsável’. Quais são as suas expectativas para este evento e qual o valor que atribui à discussão de questões importantes do setor neste tipo de fórum com especialistas e partes interessadas?
Minha expectativa é que o evento faça coro com as outras oportunidades que temos de falar para o setor e a sociedade em geral dos assuntos que tratamos nas outras perguntas, principalmente na conscientização geral de que este é um setor legítimo, com uma oferta legítima de algo que a população sempre consumiu, e que, feito da forma correta, neutraliza as mazelas adjuntas à prática. Qualquer outra visão diferente dessa compactua com o limbo e o descontrole do mercado não regulamentado. O que espero que a nossa população e o nosso Governo entendam de uma vez por todas é que não existe a figura do “mercado inexistente”. O jogo é muito forte e nunca deixou de existir.







