
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco sobre a sua trajetória profissional no mercado de iGaming.
Minha trajetória no iGaming começou em 2022, quando deixei a XP Investimentos e o mercado financeiro para ingressar no setor de jogos e apostas. Naquele momento, fui convidado por João Pedro Tanos, que já era um dos principais afiliados do mercado e posteriormente fundaria sua própria operadora, para assumir a função de Gerente de Afiliados. Desde o início, construímos um posicionamento muito voltado à comunidade e ao entretenimento, tanto para o público final quanto, principalmente, para os afiliados. Nosso objetivo era proporcionar um ambiente no qual esses profissionais pudessem se desenvolver, compreender melhor o que divulgar e aprender a se comunicar de maneira mais consciente, coerente e eficiente. Já naquela época, trabalhávamos intensamente o aprimoramento da comunicação e da expressão dos afiliados, buscando atrair um público mais qualificado e consciente. Sempre entendemos que uma operação sustentável não poderia depender apenas de volume, mas da qualidade da mensagem e da relação construída com a comunidade. Em 2024, passamos a atuar como uma agência independente, prestando serviços para diferentes operadoras. Ao longo dessa trajetória, participamos do desenvolvimento de mais de dois mil afiliados. Atualmente, os nossos “Super Eleitos”, como chamamos os afiliados da nossa comunidade, movimentam mais de R$ 30 milhões em depósitos mensalmente. Também compartilhamos nossa metodologia por meio de palestras, treinamentos em eventos, encontros dentro de operadoras e conversas com heads e gestores de afiliação. Essa trajetória me permitiu conhecer o mercado por diferentes perspectivas e contribuir para a profissionalização de uma área que se tornou fundamental para o crescimento da indústria.
Qual foi a importância da Copa do Mundo para o mercado de jogos e apostas e como o mercado atuou neste sentido?
A Copa do Mundo representou um dos períodos de maior atenção para o mercado de apostas esportivas. Foi um evento que ampliou significativamente o contato do público com o setor e atraiu, inclusive, pessoas que normalmente não acompanham competições esportivas ou não possuem o hábito de apostar. Essa exposição pode produzir efeitos positivos e negativos. Por um lado, aumenta a visibilidade das empresas, impulsiona a movimentação do mercado e abre espaço para que operações responsáveis apresentem as apostas como uma modalidade de entretenimento. Por outro, também amplia o escrutínio da imprensa, da sociedade e dos órgãos reguladores. Uma parcela do público ainda relaciona as apostas a uma possibilidade de renda extra ou enriquecimento, quando essa não é a proposta do setor. A comunicação precisa deixar claro que se trata de uma atividade de entretenimento, com riscos financeiros, destinada exclusivamente a maiores de 18 anos e que exige limites. Por isso, considero que a Copa não foi apenas uma oportunidade comercial. Ela também representou um grande teste de maturidade para toda a indústria. Operadoras, afiliados e demais participantes precisam adotar uma comunicação mais transparente, responsável e alinhada à legislação. Mais do que gerar volume durante algumas semanas, o verdadeiro desafio é demonstrar que o mercado brasileiro consegue crescer com responsabilidade, proteger o consumidor e construir relações sustentáveis com o público.
O que você pensa sobre o mercado regulado de apostas no Brasil atual e as perspectivas para o setor?
Considero a regulamentação vital para o mercado brasileiro. As apostas alcançam diferentes camadas da população, inclusive pessoas social e economicamente mais vulneráveis, que podem interpretar essa atividade como uma oportunidade de renda ou enriquecimento. Por isso, é indispensável estabelecer regras, limites e mecanismos efetivos de fiscalização e proteção. Em mercados mais maduros, as apostas são tratadas como entretenimento. Elas podem ocupar o espaço de outras formas de lazer, mas não devem ser apresentadas como investimento ou solução financeira. Para que essa compreensão também amadureça no Brasil, a comunicação precisa ser responsável e o consumidor deve receber informações claras sobre os riscos envolvidos. A regulamentação contribui justamente para estabelecer limites publicitários, aumentar a proteção ao jogador e elevar o nível de profissionalização de toda a cadeia. Nesse sentido, ela não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma estrutura necessária para a sustentabilidade da indústria. Acredito, porém, que o próximo passo precisa ser a intensificação do combate ao mercado ilegal. As empresas que investiram para obter autorização, adaptaram suas operações e aceitaram as regras estabelecidas pelo Estado não podem competir em condições desiguais com plataformas que continuam atuando à margem da legislação. O Governo deve fiscalizar rigorosamente as empresas autorizadas, mas também precisa proteger o ambiente regulado. Isso exige restringir de maneira efetiva as operações ilegais, seus meios de pagamento, sua publicidade e seus canais de acesso. Sem essa atuação, pune-se quem se regularizou enquanto quem permaneceu fora das regras continua disputando o mesmo consumidor.
Qual é a sua expectativa para o G&M Eventos Brasil (13 de agosto de 2026 no Cubo Itaú em São Paulo), onde teremos sua participação representando a AFFiGAMING?
Minha expectativa é encontrar um ambiente de diálogo verdadeiro sobre o momento atual e os próximos passos do mercado. Eventos como o promovido pela G&M News são importantes porque reúnem diferentes perspectivas da indústria e permitem que operadores, fornecedores, afiliados e lideranças discutam problemas que não podem ser resolvidos de maneira isolada. Espero contribuir de forma contundente, compartilhando a visão de quem vive diariamente a operação, a gestão de afiliados e a construção de comunidades. Ao mesmo tempo, quero ouvir outros profissionais, conhecer diferentes experiências e sair do evento com uma compreensão ainda mais ampla sobre os desafios do setor. Cada evento da G&M News deixa um legado de conhecimento e de conexões para quem participa. Minha expectativa é contribuir para essa construção coletiva e retornar ainda mais preparado para ajudar no desenvolvimento de um mercado mais profissional, responsável e sustentável.







