
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Estamos no segundo ano do mercado regulado e os desafios não param de aparecer. Nesse momento, acho que somos um dos poucos mercados que, além de competir entre nós, também precisa trabalhar para que a imagem da categoria como um todo seja mais respeitada por quem ainda não conhece ou não entende direito o nosso universo.
Por isso, listei aqui 5 pontos que eu acho essenciais para atravessarmos essa fase com mais maturidade.
- “Branding” não é jargão, é decisão. E decisão boa dói
Muita gente fala sobre como a marca ajuda a criar diferenciação e pode ser a chave, ou a senha, como dizem os mais novos, para virar o jogo. Mas, na prática, ainda vemos pouca gente levando isso realmente a sério. Marca se constrói com decisão, e decisão significa abrir mão de algumas coisas, escolher um caminho e ser fiel à estratégia. Qual território sua marca ocupa? Você já se perguntou? Não vale dizer “esporte”, hein? O seu post de terça-feira, às 11 da manhã, reflete isso? Seu e-mail também? Seu patrocínio esportivo também. Porque, no fim, quem fala tudo não fala nada.
- Com bom relacionamento, todos saem ganhando
Lembro que, quando comecei no mercado, duas empresas se negaram a iniciar uma negociação simplesmente por se tratar de uma plataforma de apostas. Hoje, já temos lugar na mesa com big techs, parceiros nacionais e internacionais, veículos relevantes e cada vez mais presença no mainstream. Esse tipo de relacionamento ajuda o mercado a sair, aos poucos, desse papel de vilão que ainda aparece em muitas conversas. Precisamos, sim, enaltecer e valorizar os bons parceiros de mídia, tecnologia e serviços, endêmicos ou não, que já entenderam o nosso papel. Isso ajuda a subir a régua para todo mundo.
- Data & IA: a dupla mais famosa do mercado
Eu vivi o hype do “data is the new oil” e agora estamos vivendo o hype da inteligência artificial. Aí mora o perigo: o básico começa a parecer ultrapassado, mesmo quando muita gente ainda nem faz bem o básico. Hoje temos excelentes ferramentas disponíveis, principalmente em CRM: Xtremepush, Smartico, Fast Track, Optimove e outros queridos do mercado. Mas quando foi a última vez que você olhou para a sua base procurando padrões simples? Produto de preferência, horário de maior acesso, comportamento por vertical, queda de engajamento, recorrência, janela de reativação? Antes de sofisticar demais, às vezes vale voltar para a pergunta mais simples: o que a base está tentando me contar?
- O brasileiro nasceu formado em marketing. Precisamos resgatar esse espírito
Aqui meu lado publicitário fala um pouco mais alto. Somos um país referência em propaganda boa, daquelas que constroem marca, viram conversa e entram na cultura popular. Comercial que funciona. Ideia que cola. Bordão que atravessa gerações. “Essa carne é Friboi?” “Não é assim uma Brastemp.” “Tipo Net.” Uma mais nova, para eu não entregar tanto a idade: Gracyovos. Tem muito aprendizado ali que podemos usar no nosso mercado. Estou ansioso para ver o mercado da criatividade dar match de vez com o nosso.
- Jogo responsável nunca é demais, né?
É nosso dever, como profissionais de marketing e comunicação, encontrar formas cada vez melhores de falar sobre jogo responsável. O básico é essencial, claro. Mas ainda existem muitos caminhos pouco explorados para tratar esse assunto com mais profundidade, criatividade e impacto. Jogo responsável pode ser território de marca. Pode envolver parceiros de mídia. Pode usar dados reais. Pode virar conteúdo bom. Pode sair do rodapé e entrar de verdade na conversa. No fim, maturidade de mercado não vem só de crescimento. Vem também da forma como a gente escolhe crescer.
PERFIL PROFISSIONAL
Rafael Rebelatto é executivo de marketing, com experiência em aquisição, retenção, estratégia de conteúdo e construção de marca. Atualmente atua na BandBet como Marketing Manager, cuja empresa tem operação licenciada ligada ao Grupo Bandeirantes, no mercado regulado de apostas no Brasil.
Ao longo da carreira, passou por empresas dos segmentos de publicidade, tecnologia, educação e entretenimento digital, trabalhando com marcas como Claro, Serasa e Fiat/Jeep, além de participar de projetos reconhecidos em premiações como Effie, El Ojo e AMPRO.








