
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco sobre sua trajetória profissional no setor do iGaming e os desafios de ocupar o importante cargo na companhia.
Minha trajetória sempre esteve ligada à construção e à transformação de negócios. Nos últimos anos, tive a oportunidade de acompanhar de perto uma das maiores mudanças da história do mercado brasileiro de apostas: a transição de um ambiente sem regulamentação para um setor regulado, muito mais estruturado e profissional. À frente da Ana Gaming, consolidamos uma operação preparada para um mercado que exige altos padrões de governança, compliance, tecnologia, proteção ao consumidor e inovação constante. O papel do CEO hoje vai muito além de crescer a operação: é garantir que cada área da empresa sustente esse patamar de exigência todos os dias. O que orienta essa gestão é o equilíbrio entre crescimento e responsabilidade. É possível inovar, oferecer uma boa experiência ao usuário e, ao mesmo tempo, fortalecer práticas de jogo responsável, prevenção à fraude e integridade. Esse é o diferencial das empresas que permanecerão relevantes no longo prazo.
A operadora reflete princípios com foco na confiabilidade da plataforma e responsabilidade no entretenimento, inclusive com campanhas voltadas à conscientização do jogo responsável. Quais foram as estratégias neste sentido diante do grande volume de apostas durante a Copa do Mundo?
Eventos como a Copa do Mundo naturalmente ampliam o interesse das pessoas pelas apostas esportivas. Justamente por isso, entendemos que também aumenta a nossa responsabilidade. Na Ana Gaming, trabalhamos para que o crescimento da atividade venha sempre acompanhado de informação, transparência e mecanismos efetivos de proteção ao usuário. Além das campanhas de conscientização, utilizamos tecnologia e inteligência artificial para monitorar padrões comportamentais que possam indicar situações de risco. Isso permite identificar sinais precoces e adotar medidas preventivas, incentivando uma relação mais saudável com o entretenimento. Sempre digo que o excesso não é bom para ninguém. Não é bom para o usuário, não é bom para a credibilidade do setor e não é bom para as empresas que desejam construir um mercado sustentável. O jogo responsável precisa deixar de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar parte da cultura das organizações.
Qual é sua visão atual sobre o mercado brasileiro de jogos e apostas e qual cenário imagina para o futuro do ecossistema em termos de equilíbrio, legalidade e crescimento?
A regulamentação representou um marco para o setor brasileiro. A Lei 14.790/2023 e a atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas elevaram significativamente o nível de exigência das empresas e criaram as condições para um mercado mais transparente, competitivo e seguro para o consumidor. Agora entramos em uma nova etapa, e o enfrentamento às operações não autorizadas é, na minha visão, a agenda decisiva dela. Esse enfrentamento se sustenta em três frentes que precisam avançar juntas. A primeira é a fiscalização e o bloqueio efetivo: retirar de circulação sites e meios de pagamento de operações que atuam fora do marco legal, com celeridade e coordenação entre o regulador, o sistema financeiro e as plataformas digitais. A segunda é a isonomia competitiva: as operadoras licenciadas investem em tecnologia, compliance, verificação de idade, proteção ao jogador, geração de empregos e recolhimento de impostos, e o mercado só se consolida quando esses investimentos são valorizados como condição de operação, não tratados como desvantagem de custo. A terceira é a informação ao consumidor: quanto mais claro for para o apostador identificar quem opera dentro das regras, a começar pelo domínio ‘.bet.br’, menor o espaço para quem atua fora delas. No fim, essa é uma agenda de proteção ao consumidor. Quem aposta em uma operação não autorizada abre mão de todas as garantias que a lei brasileira construiu: verificação de idade, mecanismos de jogo responsável, canais de atendimento e segurança sobre os próprios recursos. Fortalecer o ambiente regulado é a forma mais eficaz de proteger o público. Também acredito que veremos um movimento natural de consolidação. Permanecerão as empresas que conseguirem combinar escala, eficiência operacional, governança, inovação e uma visão de longo prazo.
A G&M News realizará o G&M Eventos Brasil no 13 de agosto de 2026 no Cubo Itaú em São Paulo. Qual a relevância de eventos como estes em um contexto regulamentado?
O mercado brasileiro vive um momento único. Poucos países passaram por uma transformação regulatória tão relevante em um intervalo tão curto de tempo, e isso naturalmente desperta o interesse de operadores, fornecedores, reguladores e investidores do mundo inteiro. Eventos como esse têm um papel muito importante porque ajudam a elevar o nível da discussão. Mais do que apresentar novos produtos ou gerar negócios, eles criam um ambiente para troca de experiências, compartilhamento de boas práticas e construção coletiva de soluções para os desafios que ainda temos pela frente, a começar pela consolidação do ambiente regulado. Acredito que o amadurecimento do setor depende justamente dessa colaboração entre empresas, entidades, reguladores e parceiros tecnológicos. No fundo, todos têm o mesmo interesse: construir um mercado cada vez mais seguro, transparente, inovador e sustentável para os consumidores e para o país.







