
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Como você descreveria sua trajetória profissional e sua entrada no mundo do iGaming?
Minha trajetória profissional é marcada por mais de 15 anos de experiência em marketing estratégico, gestão de marcas e expansão de negócios, com passagens por grandes empresas globais de vários setores. Minha entrada no mundo dos jogos e apostas esportivas aconteceu de forma muito natural, impulsionada pelo dinamismo do setor na época quando as casas de apostas estavam ainda iniciando as operações e entrando no mercado. Comecei minha jornada no marketing do iGaming, onde liderei a estruturação e estratégias de aquisição e retenção no mercado ainda não regulado. Posteriormente, expandi essa atuação a nível internacional, focando em estratégias globais, parcerias comerciais e expansão de mercado tanto em B2C quanto em B2B. Essa bagagem foi essencial para superar os desafios regulatórios do setor e reconstruir estratégias e oportunidades mais em linha com o mercado atual. Hoje, quase dois anos de mercado regulado, caminhamos para uma maturidade. Deixamos para trás a era da incerteza para dar lugar a um ambiente profissionalizado, mais compliance, onde a segurança jurídica se tornou um pilar fundamental para sustentar as operações. Eu vejo um futuro cada vez mais competitivo e exigente em que os jogadores buscam confiança e transparência. Pensando nisso, o marketing tem um papel importante orientado a dados e valor de longo prazo.
Quais são as maiores responsabilidades e os desafios no seu novo posto?
Como toda operação de iGaming no Brasil, no momento, os desafios são intensos, mas diria ao mesmo tempo estimulantes. Tenho um papel de liderar a estratégia geral de marketing da empresa, integrando áreas vitais como Brand, Growth, Aquisição e Retenção para impulsionar um crescimento sustentável e gerar valor a longo prazo para o negócio. Entendo que o grande desafio do marketing, considerando o cenário competitivo que estamos nesse momento, é converter as ideias e ações em resultados mensuráveis, considerando um entendimento profundo do jogador brasileiro e da base ativa. Hoje, as casas de apostas responsáveis e que querem contribuir com um mercado saudável operam em total conformidade com as exigências da regulamentação. Por isso, garantir que a criatividade e a agressividade comercial caminhem junto com a segurança jurídica e o compliance é algo que está sempre em pauta no dia a dia da operação. Outros pontos que citaria é continuar cada vez mais consolidando a marca como referência e confiança para os jogadores, além da sinergia das áreas internas para traduzir oportunidades de mercado em estratégias ágeis de execução. Estamos falando da eficiência no LTV, otimizando esse valor em marketing de conteúdo qualificado, jornadas altamente personalizadas, entendendo o comportamento da base ativa e trazendo eficiência nos canais de performance.
Quais as estratégias de impacto que a empresa lança mão para diferenciar-se no mercado?
Entendo que a diferenciação está muito na construção de valor real. Não existe uma fórmula mágica. Além da estratégia com frentes de campanhas e ações, apostamos em uma diferenciação focando em segmentações qualificadas, principalmente com o público entusiasta e que gera volume, experiências mais exclusivas sempre pensando no comportamento do jogador. Essa e outras abordagens nos permitem criar uma conexão genuína e uma relação de proximidade. O jogador não se sente mais um, conseguimos trazer uma experiência de comunidade e entretenimento que considera o comportamento e o histórico. A diferenciação com certeza também inclui reputação, transparência e comunicação ativa, promovendo sempre um ambiente seguro e sustentável para atrair quem busca entretenimento com responsabilidade.
O Brasil passou por um processo de regulamentação do mercado e as novas regras causaram um impacto no setor. Como vê o futuro do mercado regulado de jogo no país, as tendências que podem surgir neste processo e os planos da empresa neste cenário?
Tivemos muitas mudanças recentes na regulamentação, mas que contribuem para a fase de maturidade e consolidação que mencionei anteriormente e que o mercado de jogos e apostas no Brasil está passando. Eu acredito que cada vez mais a profissionalização do setor vai trazer muitas mudanças e mais eficiência. Reforço que no mercado competitivo não estamos falando de volume, mas de personalização da jornada, segurança e, nesse momento, estratégias focadas em retenção.
A G&M News realizou há pouco a terceira edição do G&M Eventos Brasil 2026 em São Paulo. Como vê este movimento de eventos inseridos em um cenário onde a dinâmica da regulamentação está em todos os meios?
Eventos como este têm um papel fundamental em um momento em que a regulamentação está presente em praticamente todas as discussões do setor. São espaços importantes para promover um diálogo aberto entre operadores, reguladores, entidades e especialistas. A agenda de eventos ao longo do ano é intensa, mas também representa uma oportunidade importante para fazer networking, estar próximo das principais lideranças do mercado e, claro, identificar novas oportunidades de negócios. Com o Brasil se consolidando como um mercado relevante para a indústria e ainda com muito potencial de crescimento, esses momentos de troca são essenciais para alinharmos expectativas, discutirmos os desafios na prática, entendermos as tendências e contribuirmos para a construção de um mercado cada vez mais sustentável e profissional.







