
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Após a MP do Governo, o que acontece com a base de afiliados qualificados que a empresa construiu e como está gerenciando a relação com seus parceiros comerciais neste cenário?
A base de afiliados é o principal ativo da BetPass. Nós construímos um relacionamento de anos com nossos afiliados. Nesse momento, estamos apoiando nossos afiliados para migrarem suas operações para países de LatAm e também outros mercados além do iGaming. Claro que isso não funciona para todo tipo de afiliado. Esperamos que essa decisão de banir as apostas no Brasil seja revertida o quanto antes para não prejudicar nossos afiliados.
Quais os possíveis prejuízos financeiros por contratos interrompidos diante da MP e qual o plano de contingência corporativo para proteger juridicamente a rede de afiliados associados?
O impacto é real: perda de receita recorrente, campanhas em andamento sem retorno e incerteza sobre comissões já geradas. Não vamos minimizar isso. Nossa contingência tem quatro frentes: 1) conformidade imediata: cessar publicidade e intermediação vedadas dentro do prazo, para proteger a rede de qualquer exposição a sanções; 2) revisão contratual: analisar cada contrato quanto a mudança regulatória, aviso e suspensão, buscando soluções negociadas antes de qualquer rescisão; 3) obrigações já constituídas: o que foi gerado e é devido deve ser apurado e tratado de forma documentada, e 4) orientação jurídica ao parceiro: informação clara sobre riscos e limites, para que ninguém siga operando por desconhecimento.
Qual seria o caminho mais sustentável para os grandes afiliados?
Diversificar verticais. Quem depende de um único produto fica exposto; as mesmas habilidades de performance valem em finanças, e-commerce, software e geração de leads. Outra opção é construir audiência própria. Lista, comunidade e conteúdo são ativos que nenhuma regulação retira. Também, atuar com compliance e tecnologia. O afiliado profissional do próximo ciclo é o que opera com rastreamento confiável, contratos claros e conformidade, e é aí que a tecnologia da AffiliaTech entra, como infraestrutura de afiliação aplicável a outros setores. Pelo contrário, operar em plataformas não autorizadas ou migrar para o exterior não é um caminho: a MP também alcança operadores fora do país, e o risco passa a ser do próprio afiliado.
O Brasil passou rapidamente de um mercado regulado em crescimento para um cenário de proibição total. Olhando para frente, você acredita que essa decisão governamental conseguirá extinguir a demanda do público brasileiro por apostas ou o país corre o risco de ver um crescimento descontrolado de plataformas clandestinas no mercado paralelo internacional? Como você projeta esse cenário nos próximos anos?
A demanda não se extingue. A aposta já existia no Brasil antes da regulação, e a experiência internacional indica que proibição total tende a deslocar o consumo para o mercado paralelo, em sites no exterior, cripto e canais informais. O custo disso é conhecido: perda de arrecadação, ausência de proteção ao consumidor, de controles de jogo responsável e de combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de resultados. Nossa projeção é de queda forte do mercado formal no curto prazo e crescimento do paralelo no médio prazo, o que tende a reabrir o debate regulatório. Quanto dura e como termina depende do Congresso, do STF e da capacidade de fiscalização, e é uma projeção, não uma certeza.







