
Por Tatiana Martins, jornalista na G&M News.
A Copa do Mundo de 2026 foi o primeiro grande teste do mercado regulado brasileiro em escala global. Na sua avaliação, qual foi o principal legado que o torneio deixou para a indústria de apostas no Brasil? O setor saiu mais maduro após esse período?
A Copa do Mundo representou o primeiro grande teste de estresse do mercado regulado brasileiro, tanto do ponto de vista operacional quanto regulatório. O período mostrou que as empresas licenciadas precisavam estar preparadas para atender uma demanda muito maior sem abrir mão das exigências de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, jogo responsável e proteção ao consumidor. O principal legado foi demonstrar que a regulamentação é capaz de oferecer um ambiente mais seguro para todos os envolvidos. Sem dúvida, o setor saiu mais maduro, com processos mais sólidos e uma compreensão ainda maior de que crescimento sustentável depende de conformidade.
O mercado brasileiro ainda está construindo sua identidade. Na sua visão, existe algum modelo internacional que sirva de inspiração ou o Brasil tende a desenvolver um caminho próprio para a regulamentação e a operação das apostas?
Existem mercados maduros que servem como referência em diferentes aspectos, como Reino Unido, Espanha e alguns países da América Latina, mas o Brasil possui características próprias de dimensão, perfil do consumidor e estrutura regulatória. Naturalmente, aprendemos com experiências internacionais, principalmente em temas relacionados a integridade, fiscalização e jogo responsável, mas acredito que o país está construindo um modelo adaptado à sua realidade. O importante é que essa evolução ocorra de forma equilibrada, preservando a segurança jurídica e permitindo o desenvolvimento sustentável da indústria.
Durante muito tempo, as operadoras competiram principalmente por aquisição de clientes. Com o mercado regulado, você acredita que a disputa passa a ser por confiança? O que será mais determinante para o sucesso de uma marca nos próximos anos?
A confiança passa a ocupar um papel central. Em um ambiente regulado, o consumidor tende a valorizar empresas que demonstram transparência, segurança nas operações, proteção de dados e compromisso com o jogo responsável. No nosso grupo, jogo responsável deixou de ser apenas uma obrigação normativa e passou a ser parte da experiência do apostador. A aquisição continua importante, mas a retenção e a construção de reputação dependerão cada vez mais da credibilidade da marca. Quem conseguir aliar experiência do usuário, inovação e conformidade regulatória terá uma vantagem competitiva consistente no longo prazo.
Nos últimos meses, o setor passou a conviver com novas exigências regulatórias e uma exposição muito maior perante a sociedade. Como as empresas podem equilibrar crescimento, inovação e responsabilidade sem perder competitividade?
A conformidade não deve ser vista como um obstáculo à inovação, mas como parte dela. Empresas que incorporam compliance à estratégia conseguem desenvolver produtos, campanhas e processos alinhados às exigências regulatórias desde sua concepção, reduzindo riscos e aumentando a confiança do mercado. Um exemplo disso é o jogo responsável. No Grupo LBBR, temos tratado esse pilar como prioridade estratégica, aprimorando continuamente as ferramentas disponíveis ao apostador, como limites, alertas e mecanismos de autocontrole, e desenvolvendo novas funcionalidades que melhoram a experiência sem estimular comportamentos de risco. Proteger o apostador e oferecer um bom produto não são objetivos opostos. Quando bem executados, caminham juntos. Crescimento sustentável passa necessariamente por governança, transparência e responsabilidade. Esses fatores deixam de ser apenas uma obrigação regulatória e passam a representar um diferencial competitivo.
A G&M News realizará, no 13 de agosto em São Paulo, o G&M Eventos Brasil 2026, reunindo os principais players da indústria. Em um mercado que ainda está amadurecendo, qual é o papel de encontros como esse para aproximar operadoras, reguladores e fornecedores e acelerar a evolução do setor?
Eventos como os de G&M News são fundamentais porque promovem diálogo entre todos os agentes do ecossistema. O amadurecimento do mercado depende da troca constante de experiências, da discussão de boas práticas e da construção de entendimentos comuns entre operadoras, fornecedores, especialistas e reguladores. Quanto maior esse alinhamento, maior será a capacidade do setor de evoluir de forma responsável, fortalecendo a confiança do consumidor e consolidando um ambiente competitivo, transparente e sustentável.







