
O Ministério da Saúde de Portugal vai reforçar a rede pública de apoio aos usuários com a abertura de dois novos centros especializados no tratamento do jogo problemático no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A medida surge em resposta ao aumento dos pedidos de apoio e Diagnóstico de Perturbação do Jogo em Portugal, acompanhando a expansão do mercado de jogo online e de apostas desportivas. As novas unidades terão equipas multidisciplinares compostas por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, focadas na intervenção clínica e no acompanhamento de jogadores e das respetivas famílias. A dependência do jogo pode ter consequências que vão muito além do dinheiro, afetando as relações, as famílias e a saúde mental.
O plano do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) é criar no Porto o que existe agora em Lisboa (Unidade de Tratamento de Gambling) e replicar em Lisboa o Programa de Tratamento de Videojogos, que está a funcionar no antigo hospital de Matosinhos.
Perante a constatação de que o número de pessoas a pedir apoio por causa de perturbações ligadas ao jogo cresceu nos últimos dois anos, Lisboa abriu a primeira unidade pública dedicada ao tratamento do jogo problemático em meados de junho de 2026. A unidade lisboeta funciona em regime de ambulatório e está instalada no Espaço Lisboa Jovem, na zona de Marvila, que foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa para a intervenção clínica e também apoio na gestão das dívidas, que estão frequentemente associadas ao jogo patológico.
Na unidade de Marvila, a primeira deste género no país, os utentes dos 45-49 anos e dos 50-54 anos são os escalões mais significativos. A maioria vem de fora de Lisboa, de concelhos como Aveiro, Caldas da Rainha, Castelo Branco, Guarda, Leiria, Porto, Santarém e Setúbal.
Com a criação destas duas infraestruturas públicas, o SNS alarga a capacidade de consulta externa especializada e acompanhamento continuado, descentralizando o acesso ao apoio que até agora se concentrava maioritariamente em unidades de referência nas áreas metropolitanas.
A informação surge após o Governo indicar, na proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), que vai reforçando a capacidade das unidades especializadas em comportamentos aditivos e dependências, terapêuticas e programas de ambulatório, em articulação com centros de saúde, serviços especializados e instituições sociais.
“O Governo continuará igualmente a reforçar as respostas de redução de riscos e minimização de danos, promovendo a sua integração com as restantes respostas assistenciais e assegurando a continuidade dos cuidados ao longo de todo o percurso terapêutico, desde a intervenção precoce ao tratamento, reabilitação e reinserção social”, detalha ainda o documento do OE2027.







