
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
A RETAbet recentemente obteve a licença para oferecer apostas desportivas e jogos de casino online em Portugal. Como foi este processo e os desafios nesse sentido?
Obter uma licença em Portugal é um processo extremamente complexo, dado o método muito exaustivo de análise da sociedade e de homologação técnica da plataforma e dos sistemas de jogo. O SRIJ realiza uma análise minuciosa e verifica se a sociedade ou grupo requerente, bem como os seus administradores, cumprem todas as normas de compliance e de jogo responsável. Neste sentido, para alcançar o sucesso neste processo, acredito que a nossa integração vertical foi fundamental, uma vez que dispomos de uma plataforma própria e de um PAM próprio, o que nos permitiu implementar internamente qualquer requisito ou alteração necessária. Os operadores que utilizam plataformas de terceiros, na minha opinião, podem enfrentar grandes dificuldades na obtenção de licenças como a de Portugal, devido aos seus elevados padrões de inspeção.
Qual seu olhar sobre a diferença entre jogar em casinos físicos e online, a questão de escolher entre tradição e inovação dos jogos, e as mudanças de comportamento dos jogadores, em especial no mercado português, famoso pelos seus casinos que atraem turistas do mundo todo?
Portugal conta com casinos físicos históricos e muito reconhecidos a nível mundial. Por detrás destes casinos, estão empresas muito profissionais. No entanto, em todo o mundo, tem-se verificado uma complementaridade entre os casinos físicos e os casinos online. Acredito que existem momentos e clientes para os casinos físicos, mas o facto de existir um casino online atrai muitos novos clientes para o mercado que já procuravam este tipo de produto. Creio que, em todo o mundo, se verificou -ou irá verificar-se-um processo semelhante. Os casinos físicos têm algum receio da concorrência dos casinos online, mas, normalmente, com o tempo, são as próprias empresas de casinos físicos que acabam por lançar um projeto online, aproveitando a sua vantagem competitiva de terem clientes omnicanal. Em Portugal, o casino online tem um potencial de crescimento significativo ao nível da regulamentação e, agora que empresas locais muito fortes já estão presentes no mercado online, penso que estão reunidas as condições para que Portugal avance na regulamentação do casino online, permitindo a oferta de produtos live e promovendo que os operadores licenciados pelo SRIJ possam competir com a oferta online ilegal que, a nível mundial, é disponibilizada pelas empresas ‘.com’. Os turistas e os clientes dos casinos físicos não vão deixar de existir, até porque os casinos físicos proporcionam uma experiência de serviço, hotelaria e entretenimento que o online não consegue oferecer. No entanto, o casino online pode permitir aos operadores de casinos manter um maior contacto com os seus usuários e alargar geograficamente a sua base de clientes, ao mesmo tempo que permite explorar a omnicanalidade. Acredito que os casinos portugueses irão conquistar uma quota de mercado significativa no casino online e poderão fazer cross-sell para as apostas desportivas. No início, o online é sempre visto como uma ameaça, mas, com o tempo, acaba por representar uma nova e bem-sucedida linha de negócio. Isso já aconteceu em Espanha, com grupos de casinos físicos que estão a ter muito sucesso no online, e acredito que o mesmo irá acontecer em Portugal, quando o mercado perceber que a chave está em combater as empresas ilegais ‘.com’.
Quais políticas de jogo responsável utilizam no mercado de Portugal?
A RETAbet opera ao abrigo de mais de 20 licenças de diferentes entidades reguladoras, uma vez que, para além de Portugal e Peru, temos licenças nas 17 comunidades autónomas de Espanha para operar no segmento de apostas retail. Isto obrigou-nos, desde 2008, a implementar políticas de compliance e de jogo responsável muito rigorosas. Além disso, como os requisitos das diferentes administrações são distintos, temos vindo a implementar continuamente melhorias e avanços nestas áreas. Somos uma empresa que nunca operou em mercados sem licença ou em ‘.com’ e acredito que poucas empresas ou grupos a nível mundial podem afirmar o mesmo. O nosso compromisso com o jogo responsável, o compliance e a regulamentação é absoluto.
Quais as perspectivas e estratégias da empresa em solo lusitano para fechar o ano de 2026 e iniciar 2027 com o êxito reconhecido em outros países que atua?
Em Portugal, iremos operar com humildade, cumprindo rigorosamente a regulamentação e com a visão de encontrar o nosso espaço no mercado a longo prazo. O nosso board é constituído por um grupo estável de acionistas, que estão na empresa há mais de 25 anos e que não têm as urgências associadas à cotação em bolsa ou à pressão dos fundos para crescer de forma acelerada. Em 2026, queremos lançar um produto interessante e completo para o mercado e ouvir os clientes, de forma a perceber como gostam de ser atendidos. Como referi anteriormente, o facto de termos uma plataforma própria vai permitir-nos adaptar-nos muito bem ao mercado. O crescimento virá em 2027, à medida que o mercado nos for conhecendo gradualmente. Queremos fazer as coisas bem, sem pressas. Fazer as coisas bem sempre nos permitiu desenvolver projetos rentáveis a longo prazo. Temos muitos anos de experiência na operação de apostas desportivas e casino online e contamos com uma gama de fornecedores muito fortes e com uma equipa excecional. Estamos também a receber muito interesse por parte de talento português já existente no mercado, que quer integrar o nosso projeto, precisamente porque reconhece que somos um grupo muito sólido.







