
Por Tatiana Martins, jornalista na G&M News.
O debate sobre regulamentação das apostas no Brasil costuma focar apenas em arrecadação e publicidade. Na sua visão, quais discussões realmente importantes sobre o setor ainda estão ficando de fora da agenda pública?
O setor de apostas ainda é muito novo no Brasil, e estamos passando por um período de aprendizagem da população e consolidação das operadoras. Precisamos seguir discutindo as diferenças entre as bets legais e ilegais, a importância do jogo responsável e os investimentos que o setor traz para os esportes. A regulação brasileira, que estabelece as regras para o funcionamento do mercado no país, é uma das mais robustas e avançadas do mundo. Ela criou as bases para um mercado regulado forte, que atua dentro de regras claras. Entretanto, as bets ilegais ainda representam metade do mercado, o que exige esforços contínuos em diversas frentes para o combate a operadoras não autorizadas e proteção da população. Outro ponto não muito comentado é o fomento no esporte de base via tributos. Do valor arrecadado com as bets no país, uma fatia expressiva vai por lei para incentivo ao esporte via Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro, entre outros. Estes valores têm o potencial de transformar o esporte no Brasil e proporcionar mais oportunidades para atletas de todo o país, gerando efeitos positivos a longo prazo. Por fim, precisamos seguir a conscientização da sociedade sobre o jogo responsável e a visão de que apostas são para entretenimento, e não fonte de renda extra para a população.
Você atua diretamente na relação entre operadoras, Governo e entidades esportivas. Qual é hoje o maior desafio para construir um ambiente regulatório equilibrado e sustentável no país?
O diálogo do setor com o Poder Legislativo e o Executivo é constante. A Betano foi, inclusive, a primeira casa de apostas a ser regulamentada no país a participar ativamente das discussões sobre o modelo adotado. Além disso, trabalhamos junto a diferentes Ministérios, como da Fazenda, Esporte, Saúde e Justiça, entre outros, para garantir a integridade do setor e o combate às bets ilegais, mostrando que o mercado regulamentado é um aliado do Governo na arrecadação e na proteção social. Hoje, alguns dos nossos desafios são o combate efetivo ao mercado ilegal, o letramento da sociedade sobre como diferenciar bets regulamentadas das que operam na clandestinidade e além da insegurança jurídica no setor. A manutenção do modelo atual depende de uma carga tributária equilibrada, com regras claras e sólidas, pois taxações excessivamente altas ou mudanças bruscas na legislação podem afastar o investimento sério e incentivar o crescimento de plataformas clandestinas que não geram impostos nem empregos no Brasil.
A reputação da indústria ainda enfrenta resistência em parte da sociedade brasileira. Como a Kaizen Gaming trabalha temas como responsabilidade social, educação e jogo responsável para mudar essa percepção no longo prazo?
Acreditamos que temos o dever institucional de transformar a cultura do jogo no país, deixando claro que a aposta é entretenimento e diversão, e nunca uma forma de investimento ou renda extra. Tudo isso passa por investimentos e um trabalho sério e contínuo que envolve marketing, educação e responsabilidade, sempre com o jogo responsável como base para tudo o que fazemos. Este nosso posicionamento se desdobra em comunicação, por exemplo, como a campanha educativa “Não Mete o Loco”, que reforça que as apostas são uma forma de entretenimento, e nunca de investimento. Nesta campanha, destacamos que é preciso respeitar seus limites financeiros para jogar, dar pausas e jogar apenas por diversão, orientando os consumidores a desenvolver práticas saudáveis e responsáveis de jogo. Em nossa frente de responsabilidade social, buscamos ser uma força positiva para a comunidade e uma grande impulsionadora de transformação social por meio do esporte. Sendo assim, desenvolvemos projetos próprios e apoiamos ativamente iniciativas em que acreditamos. Um exemplo prático disso é o projeto Afroesporte, onde patrocinamos atletas amadores negros para que possam se dedicar exclusivamente às suas modalidades, oferecendo não apenas bolsas, mas suporte físico, técnico e psicológico. Já a nossa atuação com a Fundação Laço Rosa, de combate ao câncer de mama, que oferta exames de mamografia gratuitos em diversas cidades por meio de uma unidade móvel patrocinada pela Betano. Temos também o projeto proprietário ‘Betano em Movimento’, onde investimos na reforma de espaços públicos, como a quadra que inauguramos no Rio de Janeiro com a presença do Giannis Antetokounmpo, e duas quadras no Parque da Cidade, em Brasília, visando democratizar o acesso à prática esportiva e apoiar a atividade cultural local.
A Betano tem ampliado sua presença no esporte brasileiro por meio de patrocínios e iniciativas ligadas ao futebol. Como a empresa enxerga seu role na proteção da integridade esportiva e no fortalecimento de práticas mais transparentes dentro do setor?
O mercado regulado e licenciado é a principal ferramenta de integridade. Somos membros da IBIA (International Betting Integrity Association) e utilizamos sistemas de monitoramento avançados que detectam apostas fora do padrão. Qualquer atividade suspeita é reportada imediatamente às autoridades competentes para investigação. Além disso, a Betano investe em usabilidade, design e personalização para uma jornada fluida, ao mesmo tempo que a IA e sistemas avançados garantem a máxima segurança, prevenção de fraudes e integridade, oferecendo uma experiência de entretenimento confiável para o usuário. Onde o mercado é proibido ou clandestino, os criminosos tomam de conta porque não existem esses sensores corporativos para denunciar e fiscalizar. A transparência do esporte brasileiro hoje depende diretamente da robustez técnica das operadoras legalizadas.
Hoje, a sua companhia é uma das marcas mais associadas ao futebol no Brasil. Pensando na FIFA World Cup 2026, como a empresa está transformando esse momento em uma experiência de marca sem cair apenas na disputa tradicional por visibilidade e exposição publicitária?
A Copa do Mundo de 2026 é o maior evento da história do entretenimento digital e, como apoiadores oficiais para Europa e América do Sul do torneio, nossa estratégia está acontecendo dentro e fora das telas. Recentemente, estreamos a nossa campanha global, idealizada pela Wieden+Kennedy SP, que traz o conceito ‘Believing Makes it Real’ (Acreditar Faz Acontecer). Por meio dela, queremos resgatar o torcedor do ecossistema frio, automatizado e isolado das telas de videogame ou do celular para fazê-lo viver a conexão real, física e emocional do futebol com os amigos e a comunidade. Este movimento é materializado pelo personagem da campanha, que é um avatar de videogame que sai das telas para viver a sua primeira Copa no mundo real. Além da campanha, também contamos com fan zones espalhadas por todo o país: patrocinamos espaços em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e no São João de Campina Grande. No mundo digital, temos ainda conteúdo digital e um squad de influenciadores fazendo a cobertura diretamente dos países sede e também da festa no Brasil.







