
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Quais foram as estratégias para a evolução constante da empresa no Brasil?
O Brasil não perdoa quem chega com uma solução genérica. A gente entendeu isso desde o início: a nossa plataforma B2B foi pensada para a realidade daqui. Isso significa trading e gestão de risco calibrados para o comportamento de aposta do brasileiro, que segue padrões distintos dos demais mercados. A segunda frente foi regulatória. Quando o mercado começou a ser regulamentado, muitas empresas trataram a licença como uma formalidade a ser resolvida depois. Nós tratámos e continuamos a tratar como parte do produto. Estar dentro das regras da SPA virou vantagem competitiva: o operador que trabalha com a Oddsgate sabe que não vai ter dor de cabeça de compliance mais adiante, numa hora em que o Ministério da Fazenda está cada vez mais rigoroso com quem opera fora da lista de casas autorizadas. Tecnologia sob medida, regulação levada a sério e conhecimento do mercado. Foi essa combinação que abriu espaço em um mercado que já ocupa a quinta posição global em apostas esportivas.
Segundo divulgado pela Oddsgate, 56% dos brasileiros considerou a hashtag #apostas durante a Copa do Mundo, sendo o perfil identificado o de pessoas de 28 a 34 anos, onde esse número chega a 70%. Quais os desafios que a indústria enfrentou no torneio diante do grande volume de apostas ao vivo, tráfego intenso nos pagamentos, exigindo decisões simultâneas?
O desafio real da Copa esteve na simultaneidade, mais do que no volume em si. Houve milhares de apostas ao vivo decididas em frações de segundo, ao lado de um pico de transações financeiras que precisa ser processado sem atraso. Qualquer falha ali gera prejuízo, seja para o operador, seja para o apostador que não recebe o pagamento a tempo de reinvestir. A gente lida com isso com uma engine de trading em tempo real, construída para aguentar picos, não apenas para operar bem em condições normais. A Copa do Mundo foi a exceção que testa o sistema. Somado a isso, há a liquidação instantânea via PIX, que no Brasil virou praticamente padrão: o apostador quer ver o dinheiro na conta assim que o jogo termina. O maior risco da indústria nesses momentos foi operar com uma infraestrutura pensada para o dia a dia e descobrir, no meio de uma final, que o sistema não aguenta. A prevenção deve fazer parte da arquitetura.
A sua firma é reconhecida pela utilização de tecnologia de ponta em seus standards operacionais, o que a situa mundialmente como pioneira neste sentido. Qual sua análise sobre como IA, Blockchain, Realidade Virtual e novas formas de apostas poderão redefinir o mercado nas próximas décadas?
Prefiro ser honesto: a adoção dessas tecnologias na indústria é mais lenta do que a maioria dos press releases sugere. IA já está entrando, principalmente na gestão de risco, na precificação dinâmica de odds e na detecção de fraude. Isso já deixou de ser promessa e virou rotina, mas ainda é restrita a poucas empresas, com dados e time técnico para operar dessa forma. Blockchain aparece com mais frequência no discurso do que no produto. A promessa de transparência nos pagamentos e na auditoria de resultados é real, mas o custo de implementação e a complexidade regulatória freiam a adoção em massa. A Realidade Virtual é a mais distante das quatro, na minha visão. Existe curiosidade, demonstrações bonitas em feira de tecnologia, mas falta o produto que faça o usuário comum trocar o app do celular por uns óculos para apostar. Novas formas de aposta, como micro-mercados e apostas sociais, tendem a crescer mais rápido do que as outras três, porque dependem menos de hardware novo e mais de regulação e do comportamento do usuário. Nas próximas décadas, o mercado vai se transformar, mas em camadas, empresa por empresa, não numa virada de chave da noite para o dia.
Na sua opinião, qual o valor de conferências como o G&M Eventos Brasil 2026, que reunirá dezenas de executivos em São Paulo no dia 13 de agosto?
Esse tipo de evento tem valor porque o Brasil virou o centro das atenções do setor bem na hora em que a regulação ainda está sendo desenhada. A SPA segue publicando novas normas, e boa parte do mercado ainda não sabe exatamente o que vem pela frente. Reunir operadores, especialistas e quem acompanha de perto a regulação na mesma sala reduz o ruído. Conversa de bastidores de conferência, cara a cara, ainda vale mais do que qualquer nota oficial o que qualquer relatório de mercado.







