
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco da dinâmica do seu cargo, como entrou no mundo do iGaming e como é liderar e unificar as estratégias de vendas, marketing e relacionamento com o cliente na companhia.
Eu costumo dizer que marketing é conectar pessoas, e no iGaming isso acontece numa velocidade absurda. Estou no marketing há mais de duas décadas, e meu primeiro estágio foi na Cooperlesp, uma cooperativa de bingos em São Paulo, então de certa forma o amor pelo setor sempre existiu. Tive a oportunidade de acompanhar praticamente todas as fases da indústria: do presencial ao digital, da ausência de regulamentação em vários mercados até o cenário que estamos vivendo hoje. Passei mais de 15 anos sem participar ativamente, mas quando voltei estava tudo em ebulição. Na KBET, entrei com o objetivo de trabalhamos para construir uma marca global baseada primeiro em mercados emergentes e depois os demais. Hoje, defino parte das estratégias de marketing, considerando branding, aquisição e retenção, sempre olhando o negócio como um todo e com times formados por especialista de alto nível em cada canal. Acredito muito que marketing não deve ser um departamento isolado. Quando o comercial (parte que une produto e receita), atendimento e marketing trabalham na mesma direção, a experiência do jogador melhora naturalmente. É essa integração que buscamos diariamente.
As regras para a publicidade das bets estabelecidas pelo Governo brasileiro buscam promover o conceito de jogo responsável. Qual sua análise sobre esta questão, quanto ao uso saudável das plataformas de jogos pelos usuários?
Independentemente da regulamentação, o jogo responsável precisa ser um compromisso da indústria, não apenas uma obrigação legal. Grandes eventos como a Copa do Mundo naturalmente aumentam o interesse pelas apostas, mas isso também acrescenta nossa responsabilidade como operadoras e profissionais do setor. A comunicação precisa ser clara, transparente e evitar qualquer mensagem que passe a ideia de ganho garantido ou transforme apostas em solução financeira. Na minha visão, tecnologia também faz parte da resposta. Hoje, já existem ferramentas para identificar comportamentos de risco, oferecer limites de depósito, pausas voluntárias e outras medidas que ajudam o jogador a manter o controle. Uma indústria sustentável é aquela que pensa no longo prazo. Crescer é importante, mas crescer de forma responsável é o único caminho para manter a confiança de jogadores, reguladores e da sociedade.
A KBET tem uma estratégia voltada para mercados emergentes. O que motivou essa escolha e quais oportunidades vocês enxergam nesses mercados para os próximos anos?
Mercados emergentes vivem um momento muito parecido com o que vimos em outras regiões alguns anos atrás: crescimento da conectividade, aumento da bancarização digital e consumidores cada vez mais confortáveis com entretenimento online. Mas não existe uma fórmula única. Cada mercado possui sua cultura, seus hábitos de consumo e suas particularidades regulatórias. Copiar uma estratégia que funcionou em outro país normalmente não traz os melhores resultados. Nossa visão é construir marcas locais com mentalidade global. Isso significa investir em tecnologia, parceiros regionais, conteúdo relevante e uma experiência que realmente faça sentido para cada público. Acreditamos que os próximos anos serão muito importantes para regiões como África, América Latina e Ásia, onde ainda existe muito espaço para inovação.
A G&M News tem abordado em suas publicações e também em seus eventos (como o G&M Eventos Brasil no 13 de agosto de 2026 em São Paulo) as questões referentes ao ecossistema do iGaming como um todo. Em sua perspectiva, qual o alcance destes debates e quais tendências merecem mais atenção?
Os eventos deixaram de ser apenas espaços para networking. Hoje, eles são onde a indústria discute os desafios antes que eles virem realidade. Vejo alguns temas que devem dominar as conversas nos próximos anos. O primeiro é inteligência artificial, não apenas para marketing, mas para personalização da experiência, prevenção à fraude e jogo responsável. Outro ponto é a profissionalização do mercado. Estamos entrando em uma fase em que construir marca será tão importante quanto investir em aquisição de usuários. Operadoras que conseguirem gerar confiança, criar comunidades e entregar uma boa experiência terão vantagem competitiva. Também acredito que veremos uma integração cada vez maior entre entretenimento, conteúdo e apostas. O jogador quer muito mais do que abrir um aplicativo e fazer uma aposta; ele busca experiências, interação e identificação com as marcas. No fim das contas, quem conseguir equilibrar inovação, tecnologia e responsabilidade será quem vai liderar a próxima fase da indústria.







