
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Pode você resumir sua experiência no iGaming e contar a dinâmica do seu atual cargo, liderando a implementação e a expansão das operações da empresa no mercado brasileiro?
Hoje atuo como Head Comercial da Elefante Bet Brasil. Meu trabalho é identificar oportunidades de crescimento, desenvolver parcerias estratégicas e ajudar a empresa a expandir sua presença em um mercado que está passando por uma transformação importante com a regulamentação. Minha carreira começou fora do iGaming. Passei muitos anos trabalhando com planejamento, estratégia e gestão em empresas multinacionais. Essa experiência me deu uma visão muito voltada para dados, eficiência e tomada de decisão, algo que faz bastante diferença em um setor tão dinâmico quanto o nosso. No dia a dia, nenhuma decisão comercial acontece de forma isolada. Estamos sempre conectando marketing, CRM, operações, pagamentos, compliance e tecnologia para garantir que a estratégia faça sentido para o negócio e, principalmente, para o cliente. O mercado brasileiro ainda está amadurecendo e isso cria muitas oportunidades para quem consegue executar bem. Mais do que crescer rápido, queremos construir uma operação sólida, fortalecer a marca e desenvolver parcerias que façam sentido no longo prazo.
Neste período da Copa do Mundo, onde o fluxo financeiro é bem maior, quais as estratégias que resultam em eficiência organizacional, operacional e resultados comerciais mensuráveis?
A Copa do Mundo muda completamente a escala da operação. O volume de acessos aumenta, o número de apostas cresce muito e toda a estrutura precisa estar preparada para responder sem perder qualidade. O primeiro passo é planejamento. Antes mesmo do torneio começar, fazemos projeções para entender como a demanda deve crescer. Isso ajuda a preparar equipes, infraestrutura tecnológica, meios de pagamento e atendimento ao cliente. Outro ponto importante é que todas as áreas trabalham muito próximas. Marketing, CRM, pagamentos, operações, compliance e suporte precisam acompanhar os mesmos indicadores e reagir rapidamente sempre que aparece algum desvio. Também existe um cuidado enorme com os pagamentos. Quando um cliente faz um depósito ou solicita um saque, ele espera rapidez. Qualquer atraso gera impacto direto na experiência e pode afetar a retenção. No fim, eficiência não é apenas suportar um volume maior de operações. É conseguir transformar esse aumento de demanda em crescimento, mantendo uma boa experiência para o jogador durante todo o evento.
Como construir uma estrutura eficaz de proteção ao jogador e otimizar fluxos operacionais para o funcionamento otimizado do ecossistema de uma plataforma online? Qual o diferencial da Elefante Bet Brasil comparado à concorrência?
Hoje não existe operação séria sem colocar a proteção ao jogador no centro da estratégia. O cliente está ficando cada vez mais exigente, e com toda razão. A regulamentação trouxe regras importantes, mas esse cuidado também faz sentido do ponto de vista do negócio. Um cliente que confia na plataforma tende a permanecer por mais tempo. Isso passa por processos de verificação de identidade, prevenção à fraude, monitoramento de comportamento, ferramentas de jogo responsável e mecanismos que permitam ao próprio jogador controlar sua atividade quando necessário. Ao mesmo tempo, segurança não pode significar burocracia. O desafio é fazer tudo isso sem complicar a vida do usuário. Na Elefante Bet, buscamos esse equilíbrio. Investimos em tecnologia para tornar os processos mais rápidos, mas fazemos questão de manter um atendimento realmente humanizado. Quando o cliente precisa de ajuda, ele conversa diretamente com uma pessoa. Não precisa passar por uma sequência interminável de bots até conseguir falar com alguém. Parece um detalhe, mas faz muita diferença na confiança e na qualidade da experiência. Acreditamos que esse contato próximo é um dos nossos diferenciais. No fim das contas, as plataformas podem oferecer odds parecidas ou promoções semelhantes. O que realmente fideliza o cliente é saber que existe uma empresa preparada para resolver seus problemas de forma rápida, transparente e com pessoas do outro lado
Dentro do cenário regulamentado, inúmeros debates e eventos, como G&M Eventos Brasil (13 de agosto no Cubo Itaú em São Paulo), reúnem referentes e autoridades do setor para uma discussão e busca de um ambiente legal, ampliação das políticas de jogo responsável e crescimento sustentável na indústria. Qual a importância que você considera ter esses encontros e debates para o Brasil?
A regulamentação marcou o início de uma nova fase para o iGaming no Brasil. Agora, o desafio não é mais discutir se o mercado vai crescer, mas como garantir que esse crescimento aconteça de forma responsável e sustentável. É justamente por isso que eventos e fóruns de discussão ganharam tanta importância. Eles aproximam operadoras, reguladores, fornecedores, especialistas e entidades que compartilham um objetivo em comum: fortalecer a indústria. Um exemplo importante é o trabalho desenvolvido pela EBAC, que tem contribuído para ampliar o debate sobre jogo responsável e conscientização. Quanto maior a participação de instituições como essa, maior a capacidade do setor de criar boas práticas que beneficiem empresas e, principalmente, os jogadores. Também considero muito positivo quando veículos especializados, como a G&M News, promovem espaços para esse diálogo. O setor evolui quando diferentes visões conseguem sentar à mesma mesa para discutir temas como compliance, inovação, prevenção à fraude, pagamentos e proteção ao consumidor. Tenho convicção de que o Brasil reúne todas as condições para se tornar um dos principais mercados regulados de iGaming do mundo. Mas esse crescimento depende de colaboração. Operadoras, reguladores, entidades, fornecedores e imprensa especializada têm papéis complementares nesse processo. Quanto mais alinhado estiver esse ecossistema, mais forte será a indústria nos próximos anos.







