
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Qual sua análise das diretrizes regulatórias propostas pelo Governo e qual sua percepção de como a indústria reage?
Toda iniciativa que venha para estruturar o mercado regulado brasileiro é bem-vinda. Contudo, acredito que o aprendizado mais importante para os reguladores e para o Governo é observar as jurisdições internacionais que já trilharam esse caminho consolidado. O Brasil ainda está se habituando à cultura e à regulamentação do ecossistema de apostas online. Embora a equipe reguladora venha desempenhando um papel dedicado, é fundamental analisar os mercados que alcançaram um equilíbrio justo em suas portarias e regras de conformidade. A regulação precisa proteger o jogador, mas sem sufocar a atividade econômica das empresas legítimas. Infelizmente, sinto que algumas posições atuais do Governo têm pesado excessivamente sobre o mercado regulado, gerando um ambiente desnecessariamente hostil para quem escolheu operar dentro da lei.
O que falta para que o mercado ilegal de apostas seja realmente banido no Brasil? Quais os mecanismos legais que poderiam ajudar neste sentido?
Combater o mercado ilegal é um desafio complexo, até porque a grande maioria dessas operações clandestinas é controlada por atores estrangeiros fora do alcance direto da nossa jurisdição. Para sufocar esse ecossistema, as ações precisam ser assertivas e financeiras: é mandatório bloquear os provedores de pagamento que processam transações para plataformas não autorizadas. Além disso, precisamos de leis severas que punam afiliados e provedores de tecnologia que forneçam serviços a operadores ilegais, somadas a uma forte campanha pública de conscientização. O que mais me preocupa hoje é que o Governo tem adotado posturas críticas contra as empresas que ele mesmo regulou, tributou e legalizou, enquanto adota uma postura tímida contra a clandestinidade. O Estado precisa educar a população a evitar os sites não regulados, em vez de focar suas críticas apenas no setor formal.
Qual a expectativa de volume de negócios que você acredita que a Copa do Mundo movimentará junto às plataformas?
A Copa do Mundo é o ápice do calendário de qualquer operação de apostas. Para o segmento de apostas esportivas, o impacto é direto e massivo, mas os cassinos online que possuem dinamismo e visão estratégica também têm em mãos uma oportunidade de ouro para implementar campanhas de retenção, bônus temáticos e promoções especiais. No cenário estritamente esportivo, estima-se que o mercado legalizado no Brasil movimentará cerca de R$ 31 bilhões de reais (US$5,964 bilhões). É um volume colossal. Toda a indústria de iGaming está mobilizada e refinando suas estratégias para extrair o máximo potencial desse momento histórico.
Este ano, em 13 de agosto, a G&M News organiza mais uma edição, novamente em São Paulo, do encontro de negócios e mesa de debates composto por executivos do setor, operadoras, provedores, entidades e autoridades relevantes do segmento. Qual a importância deste tipo de networking e palestras com executivos de referência, justamente num momento em que o Brasil é o foco mundial do setor de jogos e apostas?
Iniciativas como o G&M Eventos Brasil 2026 são excelentes e indispensáveis. Qualquer evento que promova o conhecimento técnico e a maturidade do mercado regulado agrega um valor imenso ao setor. Acompanho o trabalho e os eventos da G&M News há bastante tempo, e é sempre um privilégio participar, palestrar e trocar experiências com grandes profissionais do mercado global. Em um momento em que os olhos do mundo estão voltados para o Brasil, esse tipo de encontro cumpre o papel vital de unificar a indústria em torno de um propósito comum, fortalecendo nossa voz institucional e direcionando o futuro do mercado.







