
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Ano passado, você foi reconhecido com o prêmio “Contribuição Excepcional para o Setor de Jogos”. A representatividade deste prêmio se estende, seguramente, à sua relevante atuação na ANJL. O que você poderia enumerar e ressaltar de como, quais acordos e que parcerias estratégicas foram conduzidas e construídas pela Associação?
Receber o prêmio de “Contribuição Excepcional para o Setor de Jogos” no SiGMA Americas Awards 2025 foi, sem dúvida, uma honra e um reconhecimento do trabalho árduo que temos desenvolvido na ANJL. Olhando para trás, para o ano de 2025, que marcou o início do mercado regulado de apostas no Brasil, percebo que foi um período de grandes desafios, mas também de avanços cruciais para a consolidação do nosso setor. Desde o primeiro momento, nossa energia esteve focada em duas frentes essenciais: combater firmemente o mercado ilegal de apostas e resistir às propostas de tributação excessiva que poderiam minar a sustentabilidade do modelo regulado. Vimos, em diversos momentos, o setor ser encarado como uma espécie de “solução mágica” para os problemas orçamentários do país. Isso acendeu um alerta, pois iniciativas mal planejadas podem desvirtuar o propósito da regulamentação, que é justamente construir um mercado transparente, seguro e economicamente viável. Nossa abordagem sempre foi pautada pelo diálogo construtivo com as instituições, pelo respeito às autoridades e por um compromisso inabalável com o desenvolvimento econômico do Brasil. Temos insistido que uma carga tributária exagerada gera o efeito oposto ao desejado: empurra os apostadores para plataformas ilegais, muitas delas controladas por grupos criminosos internacionais, diminui a arrecadação e enfraquece as empresas que escolheram a legalidade. É um paradoxo fragilizar o mercado regulado justamente quando ele está começando a se estruturar. Contudo, 2025 também nos trouxe conquistas significativas. A parceria estabelecida entre a ANJL, a Superintendência de Fiscalização da Anatel e a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para criar um sistema automatizado de identificação e bloqueio de sites ilegais é um marco decisivo na luta contra a clandestinidade. O ano de 2025 foi, de fato, um período de amadurecimento institucional para a ANJL. Firmamos novas parcerias estratégicas, ampliamos nossa presença em eventos-chave do setor e concluímos um processo relevante de reposicionamento da nossa marca. A nova identidade visual reflete a postura de liderança que a ANJL passou a exercer em um setor agora regulamentado e legitimado pelo governo federal. Encerramos o ano com a participação no I Encontro Presencial sobre Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, promovido em dezembro pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), reforçando nossa dedicação à integridade e à conformidade regulatória. Hoje, a ANJL é uma entidade representativa de um setor regulado, comprometido com a geração de empregos, a arrecadação de tributos e o desenvolvimento econômico do país. Foi o momento ideal para atualizar nossa identidade, reforçando nosso compromisso com uma atuação ética, transparente e alinhada à Constituição.
Diante da Copa do Mundo nos próximos dias, e tendo o Brasil registrado uma explosão de plataformas de apostas online, qual sua análise sobre a existência de plataformas ilegais, como denunciá-las e combatê-las?
A Copa do Mundo 2026 certamente impulsionará um aumento expressivo nas apostas online aqui no Brasil. Nossa principal meta, como setor, é assegurar que esse crescimento ocorra exclusivamente dentro das plataformas devidamente autorizadas, minimizando assim o espaço para fraudes e a proliferação de sites clandestinos. A Copa representa uma vitrine comercial valiosa para as casas de apostas legalizadas, mas, ao mesmo tempo, intensifica o risco de atuação do mercado ilegal, que, vale ressaltar, não oferece nenhuma garantia de pagamento aos apostadores, além de outros prejuízos, como o não pagamento de tributos. Por isso, a ANJL reitera a importância de que os apostadores utilizem apenas sites autorizados pelo Ministério da Fazenda, facilmente identificáveis pelo domínio “.bet.br”. O combate ao mercado ilegal de apostas é uma batalha contínua. A indústria clandestina opera com um nível de sofisticação tecnológica impressionante e se adapta com uma velocidade notável, o que nos impede de fazer qualquer afirmação definitiva sobre se já fizemos “o suficiente”. O que funciona hoje pode não ser eficaz amanhã. Por essa razão, esse enfrentamento precisa ser incessante, bem coordenado e dinâmico.
A G&M News realizará no dia 13 de agosto evento anual em São Paulo, onde vai reunir líderes do setor de jogos brasileiro, palestrantes e especialistas, tendo inclusive a sua participação como convidado palestrante no evento anterior. Qual a importância de eventos como estes inseridos em um cenário onde a dinâmica da regulamentação está em todos os meios, e o mercado brasileiro é um foco mundial do setor de jogos online?
Encontros como o G&M Eventos Brasil são de suma importância para o nosso setor. Eles reúnem os principais líderes, palestrantes e especialistas do mercado de jogos brasileiro, criando um ambiente propício para o debate e a troca de conhecimentos. Em um cenário onde a regulamentação está em constante evolução e o mercado brasileiro se tornou um ponto focal global para o setor de jogos online, esses encontros são cruciais. Eles nos permitem discutir os desafios e oportunidades, alinhar estratégias e fortalecer a governança pautada na ética, garantindo um ecossistema seguro e próspero para todos os envolvidos no universo iGaming. Minha participação como palestrante no evento anterior reforça o valor que atribuímos a essas plataformas de discussão e colaboração.
Como você imagina o futuro da indústria de jogos e apostas no Brasil nos próximos anos?
As empresas que operam legalmente no Brasil obtiveram suas licenças junto à União em 2024 e 2025, com validade de cinco anos. Isso significa que, se nenhuma encerrar suas atividades antes do previsto, teremos um mercado robusto, repleto de grandes players nacionais e internacionais, especialmente da Europa, até 2030. Nesse cenário, é fundamental que o Brasil mantenha um ambiente de negócios atrativo, sobretudo através da segurança jurídica. Nenhum mercado com incertezas legais consegue atrair investimentos de forma consistente. Se o Brasil criar um ambiente desfavorável, não apenas deixaremos de receber novas empresas, como as que já estão aqui podem optar por não renovar suas licenças de funcionamento. Isso abriria as portas para o mercado ilegal e, consequentemente, resultaria em uma perda significativa de arrecadação para o Governo Federal. Estamos otimistas de que isso não acontecerá e que, em breve, teremos um setor totalmente consolidado no país, reconhecido globalmente.







